A opinião em religião, como em qualquer outra área, não tem valor objetivo ou subjetivo. Ela pode ser aceita sem ressalvas num "brainstorm", cuja regra exige aceitação sem julgamento, até segunda ordem. Mas só isso.
A crença em religião foi devidamente desmoralizada no versículo "Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Tiago 2:19".
E quanto ao saber?
O saber é tanto objetiva quanto subjetivamente suficiente. Entretanto, deve-se pensar o saber na sua dimensão integral.
Sabe-se por ouvir falar, o que, de fato, não tem nada a ver com o saber ao qual estou me referindo.
Sabe-se por saber fazer, o que é mais profundo do que o saber falar, embora o falar com eloquência sobre qualquer assunto possa trazer mais prestígio do que o saber fazer puro.
Sabe-se integalmente quando se fala e faz, e se reflete sobre a prática. Entretanto, pode-se saber tacitamente, sem saber falar a respeito, mas apenas praticar.
A fé, que é superior à crença, é um saber que pode ser do tipo tácito: pode-se vivê-la sem saber explicá-la, como os místicos pouco intelecutalizados.
Porém, algumas poucas pessoas integram bem o saber o e fazer, de forma tácita e explícita. Nessas pessoas, lógica e mística, ou razão e fé, combinam-se com a prática.
Em última instância, quem atingre um nível tão elevado acaba fazendo silêncio, pois, falar muito a respeito seria como dar pérolas aos porcos.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Perdoar e pedir perdão
E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; Mateus 6:12
Perdoar é um santo remédio. Quem não perdoa é como se guardasse dentro de si uma bolsa que instilasse veneno diretamente na sua corrente sanguínea. Portanto, perdoar é uma necessidade para quem perdoa, e não depende do consentimento de quem é perdoado.
Já pedir perdão é mais difícil. Em primeiro lugar, é preciso ter coragem de vencer o orgulho para pedir aquilo que, eventualmente, não será concedido pelo outro. Porém, acredito que o pedido honesto, se não for aceito pelo próximo, será aceito diretamente por Deus.
Quando pedimos perdão a Deus, o prerrequisito é que sejamos capazes de perdoar. Vejo dois caminhos a seguir.
O primeiro caminho consiste em perdoar e pedir perdão ao próximo e, em seguida, pedir perdão a Deus. E Ele, como última instância, nos livrará de toda culpa, fazendo com que perdoemos a nós mesmos.
O segundo caminho consiste em pedir perdão a Deus e, com o coração pacificado, perdoar e pedir perdão ao próximo.
Em verdade, o perdão, muito antes de ser dado ou pedido por meio de palavras diretamente ao próximo, é um ato que acontece na mente e no coração, diante de Deus.
Perdoar é um santo remédio. Quem não perdoa é como se guardasse dentro de si uma bolsa que instilasse veneno diretamente na sua corrente sanguínea. Portanto, perdoar é uma necessidade para quem perdoa, e não depende do consentimento de quem é perdoado.
Já pedir perdão é mais difícil. Em primeiro lugar, é preciso ter coragem de vencer o orgulho para pedir aquilo que, eventualmente, não será concedido pelo outro. Porém, acredito que o pedido honesto, se não for aceito pelo próximo, será aceito diretamente por Deus.
Quando pedimos perdão a Deus, o prerrequisito é que sejamos capazes de perdoar. Vejo dois caminhos a seguir.
O primeiro caminho consiste em perdoar e pedir perdão ao próximo e, em seguida, pedir perdão a Deus. E Ele, como última instância, nos livrará de toda culpa, fazendo com que perdoemos a nós mesmos.
O segundo caminho consiste em pedir perdão a Deus e, com o coração pacificado, perdoar e pedir perdão ao próximo.
Em verdade, o perdão, muito antes de ser dado ou pedido por meio de palavras diretamente ao próximo, é um ato que acontece na mente e no coração, diante de Deus.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Tu crês?
Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem. Tiago 2:19
Essa chocante afirmação de Tiago induz-me a divulgar menos as minhas crenças, além de diminuir o meu escopo em relação a elas. Ela aumenta minha convicção de que o Evangelho é simples, porém difícil de praticar. Mas vale a pena tentar vivê-lo. Que Deus me ajude.
Essa chocante afirmação de Tiago induz-me a divulgar menos as minhas crenças, além de diminuir o meu escopo em relação a elas. Ela aumenta minha convicção de que o Evangelho é simples, porém difícil de praticar. Mas vale a pena tentar vivê-lo. Que Deus me ajude.
sábado, 17 de setembro de 2011
Os dois amores
O homem está condenado a viver sob a pressão extrema de dois amores incompatíveis que reivindicam exclusividade. Isso o submete a uma tensão às vezes insuportável, a não ser que ele consiga mergulhar em cada um desses amores esquecendo o outro por alguns instantes.
Como alma vivente, o homem não pode deixar de amar sua condição atual, sob pena de tornar-se insano. Não pode abandonar o corpo, pois está nele, e sem ele não pode viver sua condição humana. E isso lhe é concedido quando se afirma que deve "amar ao próximo como a si mesmo". Mas, o que é esse "si mesmo"?
O homem está sempre sob a tensão do seu passado-presente-futuro, de uma paixão indecifrável que o faz suspirar de desejo de reecontrar o seu primeiro amor, o único e verdadeiro que poderá preencher a lacuna que se formou no seu coração desde que nasceu na Terra.
A lacuna que se forma no coração humano é um mistério. Ninguém pode compreendê-la, nem preenchê-la, mas, de reprente, ela pode ser preenchida instantaneamente quando o coração se deixa permear pela presença invisível do seu primeiro amor: o Espírito Imortal.
E, no mister de amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo, sente-se o homem um futuro ex-miserável, ao projetar-se na sua condição real, esta fora de seu invólucro material. Assim, ele ama o que está na sua essência; mas, não pode ignorar sua corporeidade atual.
O homem vive, pois, no limiar de um paradoxo terrívelmente dolororoso e, ao mesmo tempo, saboroso. Ele precisa, a cada momento, lutar para tornar-se aquilo que, em potencial, já é. E ele é, em potencial, eternamente feliz ao lado do Altíssimo, do qual é filho.
Imerso na carne, e amando a carne, o homem vive segundo a carne. Ele pode ser momentaneamente feliz, mas só isso. Em seguida ele geme de dor pela carência daquilo que é sua íntima essência: luz, e amor. Assim, o homem vive uma espécie de paixão recolhida. Ele sofre e, ao mesmo tempo, é feliz só de lembrar-se de sua origem e destino.
Embora tenha dois amores o homem sabe, intuitivamente, que só poderá ser plenamente feliz quando dedicar-se a um só amor: o amor de Deus. Então, ele não tem alternativas senão abondonar, progressivamente, o amor à carne e ao mundo, purificando-se para viver exclusivamente o amor de Deus.
Como alma vivente, o homem não pode deixar de amar sua condição atual, sob pena de tornar-se insano. Não pode abandonar o corpo, pois está nele, e sem ele não pode viver sua condição humana. E isso lhe é concedido quando se afirma que deve "amar ao próximo como a si mesmo". Mas, o que é esse "si mesmo"?
O homem está sempre sob a tensão do seu passado-presente-futuro, de uma paixão indecifrável que o faz suspirar de desejo de reecontrar o seu primeiro amor, o único e verdadeiro que poderá preencher a lacuna que se formou no seu coração desde que nasceu na Terra.
A lacuna que se forma no coração humano é um mistério. Ninguém pode compreendê-la, nem preenchê-la, mas, de reprente, ela pode ser preenchida instantaneamente quando o coração se deixa permear pela presença invisível do seu primeiro amor: o Espírito Imortal.
E, no mister de amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo, sente-se o homem um futuro ex-miserável, ao projetar-se na sua condição real, esta fora de seu invólucro material. Assim, ele ama o que está na sua essência; mas, não pode ignorar sua corporeidade atual.
O homem vive, pois, no limiar de um paradoxo terrívelmente dolororoso e, ao mesmo tempo, saboroso. Ele precisa, a cada momento, lutar para tornar-se aquilo que, em potencial, já é. E ele é, em potencial, eternamente feliz ao lado do Altíssimo, do qual é filho.
Imerso na carne, e amando a carne, o homem vive segundo a carne. Ele pode ser momentaneamente feliz, mas só isso. Em seguida ele geme de dor pela carência daquilo que é sua íntima essência: luz, e amor. Assim, o homem vive uma espécie de paixão recolhida. Ele sofre e, ao mesmo tempo, é feliz só de lembrar-se de sua origem e destino.
Embora tenha dois amores o homem sabe, intuitivamente, que só poderá ser plenamente feliz quando dedicar-se a um só amor: o amor de Deus. Então, ele não tem alternativas senão abondonar, progressivamente, o amor à carne e ao mundo, purificando-se para viver exclusivamente o amor de Deus.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
A religião verdadeira
"A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo. Tiago 1:27"
Tiago faz-nos voltar à realidade. Discursos, doutrinas severíssimas e impossíveis de praticar, cultos esteticamente perfeitos, nada disso é necessário à religião verdadeira.
A verdadeira religião consiste na prática do amor. Quanto a isso, os formalistas, ou legalistas, são inimigos do Evangelho, "Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los; Mateus 23:4".
Portanto, a reforma contínua da religião consiste em, continuamente, buscar a simplicidade capaz de tornar inteligível e praticável por todos a religião que Cristo e Tiago apresentaram na sua forma mais pura.
Tiago faz-nos voltar à realidade. Discursos, doutrinas severíssimas e impossíveis de praticar, cultos esteticamente perfeitos, nada disso é necessário à religião verdadeira.
A verdadeira religião consiste na prática do amor. Quanto a isso, os formalistas, ou legalistas, são inimigos do Evangelho, "Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los; Mateus 23:4".
Portanto, a reforma contínua da religião consiste em, continuamente, buscar a simplicidade capaz de tornar inteligível e praticável por todos a religião que Cristo e Tiago apresentaram na sua forma mais pura.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
A questão dos milagres
Um milagre é a ocorrência de um fenômeno excepcional que, aparentemente, viola uma lei natural. Ora, para o ignorante, que não conhece as leis da natureza, tudo é milagre. Para o especialista, como o astrônomo, não há milagres no seu campo.
Se partirmos de um ponto de vista mais amplo, tudo é milagre, pois não temos explicações últimas para nada, a não ser pela fé. Por outro lado, nada é milagre, pois, presumivelmente, tudo acontece segundo leis, ainda que desconhecidas.
O maior milagre é a vida. Ainda que os especialistas do ramo possam interferir nos fenômenos aos quais ela está ligada, nenhum deles jamais deu uma explicação satisfatória sobre sua origem e destino. Toda explicação científica a respeito parece tão infantil que nem merece ser levada em consideração.
Há pessoas que clamam por milagres pelo simples fato de terem medo de morrer ou de sofrer. Outras querem o milagre da prosperidade sem trabalho inteligente. Nos dois casos, quando ocorrem, os milagres podem ser contraproducentes, pois podem alimentar a indolência e o egoísmo. Esse tipo de pessoa está disposta a pagar pelos milagres recebidos como num negócio com Deus.
Assim como o homem não vive só pelo pão, não deve esperar viver por milagres. Contudo, cabe a Deus decidir quando um milagre deve ser feito para educar as suas criaturas. Ele é o Senhor dos milagres!
Apesar de acreditar que tudo é milagre, preciso de alguns milagres especiais. Se eles vierem, espero usá-los com fins educativos. Se não vierem, espero aprender algo útil com as lições inerentes à situação.
Seja feita a vontade Deus!
Se partirmos de um ponto de vista mais amplo, tudo é milagre, pois não temos explicações últimas para nada, a não ser pela fé. Por outro lado, nada é milagre, pois, presumivelmente, tudo acontece segundo leis, ainda que desconhecidas.
O maior milagre é a vida. Ainda que os especialistas do ramo possam interferir nos fenômenos aos quais ela está ligada, nenhum deles jamais deu uma explicação satisfatória sobre sua origem e destino. Toda explicação científica a respeito parece tão infantil que nem merece ser levada em consideração.
Há pessoas que clamam por milagres pelo simples fato de terem medo de morrer ou de sofrer. Outras querem o milagre da prosperidade sem trabalho inteligente. Nos dois casos, quando ocorrem, os milagres podem ser contraproducentes, pois podem alimentar a indolência e o egoísmo. Esse tipo de pessoa está disposta a pagar pelos milagres recebidos como num negócio com Deus.
Assim como o homem não vive só pelo pão, não deve esperar viver por milagres. Contudo, cabe a Deus decidir quando um milagre deve ser feito para educar as suas criaturas. Ele é o Senhor dos milagres!
Apesar de acreditar que tudo é milagre, preciso de alguns milagres especiais. Se eles vierem, espero usá-los com fins educativos. Se não vierem, espero aprender algo útil com as lições inerentes à situação.
Seja feita a vontade Deus!
terça-feira, 16 de agosto de 2011
A autorrealização do deus que está no homem
A Bíblia afirma coisas que não entendo. Por exemplo, a predestinação para o céu ou para o inferno. Quanto a tudo que não entendo, não aceito escolher entre interpretações conflitantes feitas por pessoas igualmente qualificadas e piedosas. Assumo minha ignorância e procuro viver com ela até que receba iluminação da parte do Pai.
Por outro lado, há afirmações que sou obrigado a aceitar e agir de acordo com elas. A alternativa é rejeitar a Bíblia como fonte de uma religião racional. Por exemplo, está fora de cogitação, para mim, duvidar que toda a Lei se realiza no amor, conforme está descrito em diversas passagens. Mas sei que a vida não é só amor, mas também luta contra obstáculos materiais e contra o desejo desmedido.
Aceito, sem qualquer sombra de dúvida, que a Verdade, que é Deus, contém, em si mesma: a Razão, o Amor, a Fé, e tudo o mais que for pertinente. Acredito que, em relação a Ele, devemos agir como fieis depositários dos Seus Mandamentos, evitando excesso de palavras para expressar nossa ignorância a Seu respeito. Sobretudo, não nos cabe fazer afirmações indevidas sobre o Seu escopo de atuação.
De repente minha atenção se concentrou nas seguintes passagens, as quais aceito sem questionamento, independentemente de serem literais ou analógicas:
E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. Gênesis 2:7
Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo.Salmo 82:6
Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? João 10:34
Essas passagens, aceitas como axiomas, não precisam ser provadas. Contudo, há consequências lógicas implícitas na sua aceitação. Ela dá ao homem um valor potencial elevado a ser realizado durante sua vida. A necessidade de autoconhecimento torna-se mais intensa, uma vez que, assim como afirmou Platão, "o homem é um deus, mas disso se esqueceu". Delimitando bem a situação, foi dito que o o homem é deus, filho do Altíssimo, mas não é Deus. Sob esta perspectiva, deus pode ser sinônimo de espírito, enquanto Deus, sinônimo de Espírito, ou Altíssimo.
O homem, conforme acredito, precisa adquirir esse conhecimento sobre si mesmo. Enquanto não o faz, ele é, realmente, um miserável pecador. Quanto ao ignorante pecador, disse Jesus: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. (...). Lucas 23:34". Contudo, parece-me lógico que, ao conhecer sua essência, e rejeita-la, querendo isolar-se, ou competir com Deus, esse tipo se torna o diabo.
Entretanto, o deus potencial que o homem é, deve realizar-se pela educação. E isso exige professores autorrealizados para conduzí-la. O exemplo máximo de professor é Jesus Cristo. Seus representantes na Terra não são aqueles que a religião formal designa como tais, mas aqueles que vivem segundo suas Palavras, que são o amor em ação, juntamente com a razão, e que exige fé e esperança.
O deus potencial que existe no homem torna-se atual pela dinâmica existencial, isto é, a sua luta pelas condições de existência. Nessa luta, ele passará por muitas tribulações, e as tribulações, ao serem enfrentadas com fé, amor e esperança, sob a coordenação da razão, geram o homem com domínio próprio, ou autorrealizado em Cristo. Tendo sofrido, esse homem pode compreender o sofrimento do próximo. Tendo amado e sido amado, ele pode amar.
Contudo, não temos controle sobre a autorrealização de ninguém. Cabe-nos apenas semear, cuidar e dar o exemplo. Deus cuidará do crescimento e ceifa, separando o joio do trigo quando lhe aprouver.
Por outro lado, há afirmações que sou obrigado a aceitar e agir de acordo com elas. A alternativa é rejeitar a Bíblia como fonte de uma religião racional. Por exemplo, está fora de cogitação, para mim, duvidar que toda a Lei se realiza no amor, conforme está descrito em diversas passagens. Mas sei que a vida não é só amor, mas também luta contra obstáculos materiais e contra o desejo desmedido.
Aceito, sem qualquer sombra de dúvida, que a Verdade, que é Deus, contém, em si mesma: a Razão, o Amor, a Fé, e tudo o mais que for pertinente. Acredito que, em relação a Ele, devemos agir como fieis depositários dos Seus Mandamentos, evitando excesso de palavras para expressar nossa ignorância a Seu respeito. Sobretudo, não nos cabe fazer afirmações indevidas sobre o Seu escopo de atuação.
De repente minha atenção se concentrou nas seguintes passagens, as quais aceito sem questionamento, independentemente de serem literais ou analógicas:
E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. Gênesis 2:7
Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo.Salmo 82:6
Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? João 10:34
Essas passagens, aceitas como axiomas, não precisam ser provadas. Contudo, há consequências lógicas implícitas na sua aceitação. Ela dá ao homem um valor potencial elevado a ser realizado durante sua vida. A necessidade de autoconhecimento torna-se mais intensa, uma vez que, assim como afirmou Platão, "o homem é um deus, mas disso se esqueceu". Delimitando bem a situação, foi dito que o o homem é deus, filho do Altíssimo, mas não é Deus. Sob esta perspectiva, deus pode ser sinônimo de espírito, enquanto Deus, sinônimo de Espírito, ou Altíssimo.
O homem, conforme acredito, precisa adquirir esse conhecimento sobre si mesmo. Enquanto não o faz, ele é, realmente, um miserável pecador. Quanto ao ignorante pecador, disse Jesus: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. (...). Lucas 23:34". Contudo, parece-me lógico que, ao conhecer sua essência, e rejeita-la, querendo isolar-se, ou competir com Deus, esse tipo se torna o diabo.
Entretanto, o deus potencial que o homem é, deve realizar-se pela educação. E isso exige professores autorrealizados para conduzí-la. O exemplo máximo de professor é Jesus Cristo. Seus representantes na Terra não são aqueles que a religião formal designa como tais, mas aqueles que vivem segundo suas Palavras, que são o amor em ação, juntamente com a razão, e que exige fé e esperança.
O deus potencial que existe no homem torna-se atual pela dinâmica existencial, isto é, a sua luta pelas condições de existência. Nessa luta, ele passará por muitas tribulações, e as tribulações, ao serem enfrentadas com fé, amor e esperança, sob a coordenação da razão, geram o homem com domínio próprio, ou autorrealizado em Cristo. Tendo sofrido, esse homem pode compreender o sofrimento do próximo. Tendo amado e sido amado, ele pode amar.
Contudo, não temos controle sobre a autorrealização de ninguém. Cabe-nos apenas semear, cuidar e dar o exemplo. Deus cuidará do crescimento e ceifa, separando o joio do trigo quando lhe aprouver.
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