Em síntese, na minha opinião, o cristianismo pode ser explicado da maneira a seguir.
1. O homem, ao usar sua razão, choca-se com o fato de existir. Ele é um milagre! Sua razão força-o a buscar saber de onde veio, o que deve fazer na Terra, e para onde vai.
2. Esse choque manifesta-se especialmente em duas ocasiões: quando sofre e não sabe explicar os motivos do seu sofrimento, ou quando, usando sua mente inquiridora, fica ciente de sua fragilidade e, ao mesmo tempo, capacidade de compreender.
3. A existência de um fundamento último da vida impõe-se pela intuição combinada com vivências e experiências planejadas, ou, em alguns casos, por meio de experiências culminantes.
4. O povo judeu, com sua experiência documentada na Bíblia, além de sua existência atual para testemunhar sua história, aparece como garantia de que o cristianismo tem fundamento histórico.
5. Jesus Cristo, em dado momento, impõe-se ao homem reflexivo como modelo a seguir. Ele anunciou a Boa Nova, ou Evangelho, que liberta a tantos quantos têm a alegria de conhecê-lo.
6. Sendo escolhido, ou escolhendo o Evangelho para conduzir sua vida, o homem, embora submetido a todo tipo de sofrimento, torna-se imune, pois, pela fé, fortalece sua confiança na sua origem, responsabilidade na Terra e destino final.
7. Sua meta, aqui, é aprender a arte de amar, apesar de todas as barreiras, principalmene a do seu ego, que pretende viver por si e para si, sem considerar nada além de si.
8. Embora o homem possa ser treinado mecanicamente na tradição cristã, ele pode, a qualquer momento, adquirir plena consciência sobre a verdade e, assim, agir livremente. Ele se realiza em Cristo assumindo-se mero peregrino neste mundo.
9. Consciente de sua identidade verdadeira, o homem pode viver seguro em meio à insegurança típica da vida na Terra. Ele pode dominar sua condição material, tornando-se senhor da matéria e artífice de suas condições de vida. Para isso ele precisa tornar-se escravo da verdade.
10. Entregando-se a Cristo, e tomando-o como referência, o homem pode, finalmente, realizar o potencial de Cristo que está em si. Essa autorrealização implica reconhecer o próximo como irmão, ao qual deverá prestar serviços como se fosse para si mesmo, em nome de Deus, o Pai de todos.
E assim se completa o conhecimento básico mínimo para que cada homem assuma sua liberdade com responsabilidade. Tudo o mais é secundário, embora ainda útil. Por exemplo, unir-se a determinado grupo para realizar sua missão e sua visão de futuro, mediante os valores inerentes ao Evangelho do amor, anunciado por Cristo.
Por analogia com a ilustração da circuncisão física com a circuncisão do coração, comunidade cristã não é aquela que, formalmente, adere ao Evangelho, mas aquela que o pratica de fato. Ela pode estar em qualquer lugar, mesmo que seus membros tenham pontos de vista filosóficos, políticos e relgiosos diferentes quanto aos aspectos secundários.
Em síntese, tudo se resume no amor, que se adquire pela prática. Para tal, é preciso aceitar, pela fé, o que não pode ser visto. Assim, o caminhante pode prosseguir com esperança, vivendo, desde já, como se estivesse na sua pátria verdadeira: o Céu.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
sábado, 25 de junho de 2011
Vida ganha, vida perdida
Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. Marcos 8:35
Meu amigo teve infância pobre. Passou fome. Trabalhou e superou tudo. Ao final, ficou rico. Ganhou milhões e milhões, mas agora ele está correndo grande risco.
Meu amigo encontrou-se casualmente com o homem mais rico do município onde viveu sua infância de pobreza. O homem estava contando que ganhara a sua vida. Aos 80 anos, sentia-se bem sucedido por ter tido uma vida de muito dinheiro.
O homem com o qual meu amigo se encontrou morreu. Meu amigo esteve no cemitério e viu que, se considerada esta vida, o homem venceu enquanto a teve, mas já não existia mais.
Então, meu amigo teve a oportunidade de pensar: - Será que ele ganhou a vida eterna? Será que eu estou lutando apenas por esta vida? Será que eu ainda tenho tempo de fazer bons investimentos no Céu?
Meu amigo ainda está pensando. Não sei o que ele decidiu. Mas acho que ele, com certeza, não quer apenas ser rico nesta vida. Ele tem visão de futuro. Um dia desses ele ainda vai me contar a sua história.
Meu amigo teve infância pobre. Passou fome. Trabalhou e superou tudo. Ao final, ficou rico. Ganhou milhões e milhões, mas agora ele está correndo grande risco.
Meu amigo encontrou-se casualmente com o homem mais rico do município onde viveu sua infância de pobreza. O homem estava contando que ganhara a sua vida. Aos 80 anos, sentia-se bem sucedido por ter tido uma vida de muito dinheiro.
O homem com o qual meu amigo se encontrou morreu. Meu amigo esteve no cemitério e viu que, se considerada esta vida, o homem venceu enquanto a teve, mas já não existia mais.
Então, meu amigo teve a oportunidade de pensar: - Será que ele ganhou a vida eterna? Será que eu estou lutando apenas por esta vida? Será que eu ainda tenho tempo de fazer bons investimentos no Céu?
Meu amigo ainda está pensando. Não sei o que ele decidiu. Mas acho que ele, com certeza, não quer apenas ser rico nesta vida. Ele tem visão de futuro. Um dia desses ele ainda vai me contar a sua história.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Jesus chorou
João 11:35
Percebi, desde tenra infância, que é muito fácil ser escravo da emoção. Eu via como os mais fortes humilhavam os mais fracos, sob diversos aspectos. Vi que amores não correspondidos podiam gerar tragédias.
Eu decidi vencer a emoção. Sem saber, eu assumi a filosofia de vida dos estóicos. Investi tempo em conhecer as coisas que poderiam tornar-me livre, seja financeiramente, seja emocionalmente.
De certa forma, consegui. Quando chegou a hora de amar pela primeira vez, dediquei-me com entusiasmo ao meu nomoro. Eu morava longe, mas viajava com a maior frequência possível para ver minha amada. No intervalo eu lhe enviava muitas cartas apaixonadas. Quando vi que minha amada não tinha a maturidade necessária para receber o meu grande amor por ela, sofri com antecedência. Quando chegou a hora de romper, eu estava tranquilo. Sofri, mas não chorei.
Contudo, eu também tive os meus momentos de choro. Chorei numa igreja, no final de 1999, alguns meses após a morte de minha mãe. Os hinos que ela cantava na minha infância mantiveram-me em estado de hibernação espiritual até aquele dia. Chorei novamente muitos anos depois de ter perdido meu primeiro amor. Chorei quando ela me contou o quanto chorou ao descobrir que me perdera por não ter compreendido o quanto eu a amava.
Se Jesus chorou, qualquer um pode chorar. Eu chorei. E pretendo chorar mais. Chorar pode ser um bom remédio auxiliar, até mesmo para quem, como eu, aprendeu a controlar suas emoções.
Percebi, desde tenra infância, que é muito fácil ser escravo da emoção. Eu via como os mais fortes humilhavam os mais fracos, sob diversos aspectos. Vi que amores não correspondidos podiam gerar tragédias.
Eu decidi vencer a emoção. Sem saber, eu assumi a filosofia de vida dos estóicos. Investi tempo em conhecer as coisas que poderiam tornar-me livre, seja financeiramente, seja emocionalmente.
De certa forma, consegui. Quando chegou a hora de amar pela primeira vez, dediquei-me com entusiasmo ao meu nomoro. Eu morava longe, mas viajava com a maior frequência possível para ver minha amada. No intervalo eu lhe enviava muitas cartas apaixonadas. Quando vi que minha amada não tinha a maturidade necessária para receber o meu grande amor por ela, sofri com antecedência. Quando chegou a hora de romper, eu estava tranquilo. Sofri, mas não chorei.
Contudo, eu também tive os meus momentos de choro. Chorei numa igreja, no final de 1999, alguns meses após a morte de minha mãe. Os hinos que ela cantava na minha infância mantiveram-me em estado de hibernação espiritual até aquele dia. Chorei novamente muitos anos depois de ter perdido meu primeiro amor. Chorei quando ela me contou o quanto chorou ao descobrir que me perdera por não ter compreendido o quanto eu a amava.
Se Jesus chorou, qualquer um pode chorar. Eu chorei. E pretendo chorar mais. Chorar pode ser um bom remédio auxiliar, até mesmo para quem, como eu, aprendeu a controlar suas emoções.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
O amor ainda é o melhor investimento
Eu estava desiludido. Investira tudo no amor, mas o objeto do meu amor fez outro investimento, tirando-me do seu coração sem aviso prévio.
Ao invés de mudar o foco do meu investimento, pedi a Deus que me enviasse a mulher certa. Não queria que ela fosse excessivamente bonita, nem rica, nem muito intelectualizada. Eu precisava de uma pessoa normal, porém sedenta do meu amor.
E Deus me enviou a Márcia. Pude, pela primeira vez, amar e sentir-me amado. Ela tinha foco total em mim. E eu tinha foco total nela. Tivemos um filho e uma filha maravilhosos. Espero que tenhamos dado bons exemplos para ambos.
Num certo momento, minha paixão pela Márcia pareceu apagar. Então, lembrei-me de que já fora vítima de um amor não correspondido. Investi nela, cumprindo os compromissos assumidos na igreja. Com a firme decisão de amá-la, tudo mudou.
Quanto mais avançamos em idade, mais nos amamos. Estamos namorando novamente. Tudo está muito melhor do que jamais foi. Eu a amo cada vez mais. Cada vez mais ela demonstra que me ama. O investimento feito está dando alto retorno em felicidade.
Não digo que o meu primeiro amor tenha errado ao redirecionar o seu investimento. Eu estava apaixonado, mas não fazia qualquer esforço para entrar na competição pelo seu amor. Ela era muito cortejada, e, talvez, gostasse da experiência de ter muitos olhares sobre si. Em última análise, ela não me amava. Eu a perdoo.
Ao mesmo tempo, aconselho-a a restaurar sua confiança no amor. Seu marido deve ser seu único foco. Sugiro-lhe que, se julgar que precisa de ajuda, leia o livro A Arte de Amar, de Erich Fromm. O autor defende que o amor exige treino, e eu concordo com ele.
Se o amor entre casais é tão importante, e pode dar tão alto retorno, como ocorreu comigo, imaginem o retorno do amor a Deus. Este é, em última instância, o mais importante e definitivo investimento de pessoas ajuizadas.
Ao invés de mudar o foco do meu investimento, pedi a Deus que me enviasse a mulher certa. Não queria que ela fosse excessivamente bonita, nem rica, nem muito intelectualizada. Eu precisava de uma pessoa normal, porém sedenta do meu amor.
E Deus me enviou a Márcia. Pude, pela primeira vez, amar e sentir-me amado. Ela tinha foco total em mim. E eu tinha foco total nela. Tivemos um filho e uma filha maravilhosos. Espero que tenhamos dado bons exemplos para ambos.
Num certo momento, minha paixão pela Márcia pareceu apagar. Então, lembrei-me de que já fora vítima de um amor não correspondido. Investi nela, cumprindo os compromissos assumidos na igreja. Com a firme decisão de amá-la, tudo mudou.
Quanto mais avançamos em idade, mais nos amamos. Estamos namorando novamente. Tudo está muito melhor do que jamais foi. Eu a amo cada vez mais. Cada vez mais ela demonstra que me ama. O investimento feito está dando alto retorno em felicidade.
Não digo que o meu primeiro amor tenha errado ao redirecionar o seu investimento. Eu estava apaixonado, mas não fazia qualquer esforço para entrar na competição pelo seu amor. Ela era muito cortejada, e, talvez, gostasse da experiência de ter muitos olhares sobre si. Em última análise, ela não me amava. Eu a perdoo.
Ao mesmo tempo, aconselho-a a restaurar sua confiança no amor. Seu marido deve ser seu único foco. Sugiro-lhe que, se julgar que precisa de ajuda, leia o livro A Arte de Amar, de Erich Fromm. O autor defende que o amor exige treino, e eu concordo com ele.
Se o amor entre casais é tão importante, e pode dar tão alto retorno, como ocorreu comigo, imaginem o retorno do amor a Deus. Este é, em última instância, o mais importante e definitivo investimento de pessoas ajuizadas.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
A fé do engenheiro
A fé, nesta reflexão, é entendida, inicialmente, em seu sentido genérico de "acreditar naquilo que não se vê". Ela é uma condição para toda busca, em todos os campos de atividades. Contudo, indo além dessa visão de uma fé natural, acredito que a fé em Deus é a mais alta fonte de autoconfiança que o homem pode ter.
Engenheiro, no sentido aqui adotado, é todo ser humano orientado para a obtenção dos resultados possíveis, tendo em vista as restrições inerentes à situação. Ele respeita as leis da natureza, mas pode agir, em termos práticos, sem conhecê-las. Neste caso, ele se orienta por experimentos. Na perspectiva desta reflexão, não há sequer necessidade de escolaridade formal para se pensar e agir como engenheiro.
A fé do engenheiro é tal que o seu possuidor não precisa esperar ter conhecimento absoluto para agir. Ele nem precisa discutir se existe ou não o conhecimento absoluto. Bastam-lhe os conceitos operacionais necessários e, mesmo eles, podem ser obtidos da prática orientada pela razão experimental. Na sua vida prática, o engenheiro não busca mais milagres do que pode obter usando sua inteligência para manipular os recursos que estão à sua disposição.
O engenheiro poderia ser chamdo de filósofo, se o termo filósofo ainda se referisse à pessoa amiga do conhecimento e da sabedoria. Mas o termo está desgastado, pois foi associado ao pedante que diz ser capaz de conhecer tudo somente pelo pensamento, sem alinhamento experimental com a realidade. O engenheiro poderia, ainda, ser um cientista, mas, igualmente, o termo cientista sofreu distorções. Ele hoje se refere a alguém que se especializou num campo restrito do conhecimento. Eventualmente o cientista, no mau uso de sua autoridade, é capaz de fazer afirmações charlatãs sobre aquilo que não conhece. Sobre Deus, por exemplo.
Alguns filósofos e cientistas afirmam que é possível aproximar-se progressivamente da "coisa-em-si" usando sua inteligência, vontade e ativa capacidade de experimentação. Nisso, comportam-se como engenheiros. Porém, o engenheiro não pode condicionar a sua ação ao conhecimento absoluto da "coisa-em-si". Ele é obrigado a partir do conhecimento parcial, desde que este lhe indique o caminho para a obtenção dos resultados de que necessita.
No extremo, filósofos e cientistras são místicos ou lógicos. Mas, se movidos pela visão do engenheiro, combinam mística e lógica, assim como indução e dedução, imaginação e ação, enfim, teoria e prática. Quanto a isso, os crentes e os ateus usam o mesmo método; e ambos precisam ter fé.
O homem de fé acredita naquilo que não vê. E, acreditando, busca. E, existindo o que busca, encontra. Mas, ele só saberá se existe ou não o que busca se for persistente e agir com paciência e fé. Cada um, portanto, só encontra aquilo que busca; mas, eventualmente pode tropeçar em "descobertas casuais felizes" se estiver bem atento.
Pergunta-se: Uma "coisa-em-si" inteligente, pode buscar o homem, ao invés de esperar ser buscada por ele?
Nisto se contradizem o espiritualista e o materialista. O primeiro acredita, se for Cristão, que a "coisa-em-si", como Realidade Suprema, ou Deus, só pode ser conhecida se Ela revelar-se ao homem. O segundo acredita que a "coisa-em-si" não é inteligente e ativa e que, portanto, não pode tomar a iniciativa de revelar-se ao homem. Em comum, os dois aceitam a intuição, mas a atribuem a fontes diferentes.
O engenheiro pragmático diz: - Toda essa discussão é-me indiferente. Busco; mas, se for buscado e encontrado, rendo-me à verdade. Analiso, mas aceito a intuição que me ocorre enquanto analiso, desde que confirmada por experimentos posteriores. Sou sujeito e objeto. Ajo e interajo. Sou prático, embora tenha em conta que a melhor prática vem da boa teoria.
O engenheiro crente diz: - Sou servo. Estou nas mãos de Deus, que é a Realidade Suprema. Se O busco é porque fui buscado por Ele. Nada vem de mim, mas o que em mim age vem de Deus.
O engenheiro ateu diz: - Tudo de que preciso para descobrir ou inventar está em mim. Não estou interessado na tal Realidade Suprema. Acho até que ela não existe. Mas, por via das dúvidas, não posso afirmar nada definitivo a esse respeito. Trabalho dentro das restrições que me são impostas pelas leis da natureza.
Ressalto, novamente, que me refiro ao engenheiro quanto à forma de pensar e agir. Ele pode ser qualquer ser humano que lida com a realidade de forma operacional, integrando teoria e prática, mas priorizando a prática na hora de obter os resultados de que necessita. Não há sequer necessidade de escolaridade formal para pensar como um engenheiro, mas o bom engenheiro é, sobretudo, um grande estudioso e pesquisador.
A fé, de muitas maneiras, remove montanhas. O engenheiro remove a montanha com máquinas. Embora a fé, em suas manifestações extremas, possa produzir milagres, Deus permitiu que a medicina, a engenharia, entre outras artes e ciências, tornassem real e produtiva a fé do homem engenhoso. Isso sob a perspectiva material e cultural; mas com inevitável apelo à transcendência.
Portanto, meu amigo, tenha fé. Mas não espere que Deus premie a sua preguiça de estudar e de trabalhar. Tenha fé, mas vá à luta. Não fique por ai esperando o milagre da imortalidade nesta vida. Lázaro foi ressuscitado, mas, com certeza, morreu de novo. Se ficar doente, procure um médico. Contudo, ore/reze para que Deus, se quiser, o cure diretamente ou inspire o médico para lhe dar o tratamento correto.
A fé do engenheiro a que me referi neste texto é a fé do homem trabalhador, estudioso e, ao mesmo tempo, conformado com a inevitabilidade do sofrimento e da morte. Considero-a a melhor fé, pois começa a trabalhar antes que a razão possa dar explicações, e penetra por regiões aonde a razão não pode ir sozinha.
Engenheiro, no sentido aqui adotado, é todo ser humano orientado para a obtenção dos resultados possíveis, tendo em vista as restrições inerentes à situação. Ele respeita as leis da natureza, mas pode agir, em termos práticos, sem conhecê-las. Neste caso, ele se orienta por experimentos. Na perspectiva desta reflexão, não há sequer necessidade de escolaridade formal para se pensar e agir como engenheiro.
A fé do engenheiro é tal que o seu possuidor não precisa esperar ter conhecimento absoluto para agir. Ele nem precisa discutir se existe ou não o conhecimento absoluto. Bastam-lhe os conceitos operacionais necessários e, mesmo eles, podem ser obtidos da prática orientada pela razão experimental. Na sua vida prática, o engenheiro não busca mais milagres do que pode obter usando sua inteligência para manipular os recursos que estão à sua disposição.
O engenheiro poderia ser chamdo de filósofo, se o termo filósofo ainda se referisse à pessoa amiga do conhecimento e da sabedoria. Mas o termo está desgastado, pois foi associado ao pedante que diz ser capaz de conhecer tudo somente pelo pensamento, sem alinhamento experimental com a realidade. O engenheiro poderia, ainda, ser um cientista, mas, igualmente, o termo cientista sofreu distorções. Ele hoje se refere a alguém que se especializou num campo restrito do conhecimento. Eventualmente o cientista, no mau uso de sua autoridade, é capaz de fazer afirmações charlatãs sobre aquilo que não conhece. Sobre Deus, por exemplo.
Alguns filósofos e cientistas afirmam que é possível aproximar-se progressivamente da "coisa-em-si" usando sua inteligência, vontade e ativa capacidade de experimentação. Nisso, comportam-se como engenheiros. Porém, o engenheiro não pode condicionar a sua ação ao conhecimento absoluto da "coisa-em-si". Ele é obrigado a partir do conhecimento parcial, desde que este lhe indique o caminho para a obtenção dos resultados de que necessita.
No extremo, filósofos e cientistras são místicos ou lógicos. Mas, se movidos pela visão do engenheiro, combinam mística e lógica, assim como indução e dedução, imaginação e ação, enfim, teoria e prática. Quanto a isso, os crentes e os ateus usam o mesmo método; e ambos precisam ter fé.
O homem de fé acredita naquilo que não vê. E, acreditando, busca. E, existindo o que busca, encontra. Mas, ele só saberá se existe ou não o que busca se for persistente e agir com paciência e fé. Cada um, portanto, só encontra aquilo que busca; mas, eventualmente pode tropeçar em "descobertas casuais felizes" se estiver bem atento.
Pergunta-se: Uma "coisa-em-si" inteligente, pode buscar o homem, ao invés de esperar ser buscada por ele?
Nisto se contradizem o espiritualista e o materialista. O primeiro acredita, se for Cristão, que a "coisa-em-si", como Realidade Suprema, ou Deus, só pode ser conhecida se Ela revelar-se ao homem. O segundo acredita que a "coisa-em-si" não é inteligente e ativa e que, portanto, não pode tomar a iniciativa de revelar-se ao homem. Em comum, os dois aceitam a intuição, mas a atribuem a fontes diferentes.
O engenheiro pragmático diz: - Toda essa discussão é-me indiferente. Busco; mas, se for buscado e encontrado, rendo-me à verdade. Analiso, mas aceito a intuição que me ocorre enquanto analiso, desde que confirmada por experimentos posteriores. Sou sujeito e objeto. Ajo e interajo. Sou prático, embora tenha em conta que a melhor prática vem da boa teoria.
O engenheiro crente diz: - Sou servo. Estou nas mãos de Deus, que é a Realidade Suprema. Se O busco é porque fui buscado por Ele. Nada vem de mim, mas o que em mim age vem de Deus.
O engenheiro ateu diz: - Tudo de que preciso para descobrir ou inventar está em mim. Não estou interessado na tal Realidade Suprema. Acho até que ela não existe. Mas, por via das dúvidas, não posso afirmar nada definitivo a esse respeito. Trabalho dentro das restrições que me são impostas pelas leis da natureza.
Ressalto, novamente, que me refiro ao engenheiro quanto à forma de pensar e agir. Ele pode ser qualquer ser humano que lida com a realidade de forma operacional, integrando teoria e prática, mas priorizando a prática na hora de obter os resultados de que necessita. Não há sequer necessidade de escolaridade formal para pensar como um engenheiro, mas o bom engenheiro é, sobretudo, um grande estudioso e pesquisador.
A fé, de muitas maneiras, remove montanhas. O engenheiro remove a montanha com máquinas. Embora a fé, em suas manifestações extremas, possa produzir milagres, Deus permitiu que a medicina, a engenharia, entre outras artes e ciências, tornassem real e produtiva a fé do homem engenhoso. Isso sob a perspectiva material e cultural; mas com inevitável apelo à transcendência.
Portanto, meu amigo, tenha fé. Mas não espere que Deus premie a sua preguiça de estudar e de trabalhar. Tenha fé, mas vá à luta. Não fique por ai esperando o milagre da imortalidade nesta vida. Lázaro foi ressuscitado, mas, com certeza, morreu de novo. Se ficar doente, procure um médico. Contudo, ore/reze para que Deus, se quiser, o cure diretamente ou inspire o médico para lhe dar o tratamento correto.
A fé do engenheiro a que me referi neste texto é a fé do homem trabalhador, estudioso e, ao mesmo tempo, conformado com a inevitabilidade do sofrimento e da morte. Considero-a a melhor fé, pois começa a trabalhar antes que a razão possa dar explicações, e penetra por regiões aonde a razão não pode ir sozinha.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Um exemplo de consenso obtido em conversas informais
Minha amiga classificou-se, informalmente, como "batisteriana". Ela tem pais presbiterianos e casou-se com um batista. Frequenta as duas denominações indistintamente e não se sente constrangida. Seu argumento central: - naquilo em que as duas denominações divergem, não se pode dizer que saibam do que estão falando. Então, concentro-me na doutrina do amor, cuja fonte é Cristo. Quanto ao mais, ignoro.
Meu amigo presbiteriano começou a falar de uma difícil doutrina comigo. Quando o questionei se sabia, realmente, do que estava falando, ele confessou logo: - rigorosamente, não sei do que estou falando. A esse respeito, pessoas inteligentes, formadas nas melhores escolas de teologia, têm assumido posições opostas. Para falar a verdade, eu fico mesmo é com a doutrina de Cristo, sintetizada no amor.
Conversando com um amigo católico, percebi que ele repetia argumentos sem saber defendê-los. No final da conversa, ele também disse que, rigorosamente, não estava em condições de defender as doutrinas que subscrevia em confiança. Afirmou, ainda, que a Igreja Católica está dividida, e que até mesmo os leigos, com a intenção de defender a ortodoxia, estão julgando os papas. Ele concordou, como a amiga "batisteriana" e o amigo presbiteriano, que a dúvida sobre aspectos doutrinários desaparece diante das práticas de vida inspiradas no amor.
Fiquei alegre com os meus amigos. Eles reconheceram sua ignorância, e colocaram suas esperanças no amor. Eu, reconhecendo-me como o maior de todos os ignorantes, pensei comigo mesmo: - há esperança quando, ao invés de fingir conhecer o que não se conhece, busca-se refúgio na doutrina central de Cristo. Deus só é acessível pelo amor, este gerado pela fé, e ambos gerando esperança. Esse trio em ação, embora não dispense a lei, supera-a com vantagem.
O caminho do consenso, conforme percebi, só pode ser trilhado por pessoas que, cultivando a humildade, são capazes de reconhecer a própria ignorância. Quanto a isso, ajuda muito ter uma boa noção sobre as principais teorias do conhecimento para saber até onde vai a arrogância de alguns interlocutores. O tom doutoral de alguns deles indica quando se deve desistir do diálogo que poderia deixá-los nus diante do público a quem tentam vender sua "sabedoria".
Meu amigo presbiteriano começou a falar de uma difícil doutrina comigo. Quando o questionei se sabia, realmente, do que estava falando, ele confessou logo: - rigorosamente, não sei do que estou falando. A esse respeito, pessoas inteligentes, formadas nas melhores escolas de teologia, têm assumido posições opostas. Para falar a verdade, eu fico mesmo é com a doutrina de Cristo, sintetizada no amor.
Conversando com um amigo católico, percebi que ele repetia argumentos sem saber defendê-los. No final da conversa, ele também disse que, rigorosamente, não estava em condições de defender as doutrinas que subscrevia em confiança. Afirmou, ainda, que a Igreja Católica está dividida, e que até mesmo os leigos, com a intenção de defender a ortodoxia, estão julgando os papas. Ele concordou, como a amiga "batisteriana" e o amigo presbiteriano, que a dúvida sobre aspectos doutrinários desaparece diante das práticas de vida inspiradas no amor.
Fiquei alegre com os meus amigos. Eles reconheceram sua ignorância, e colocaram suas esperanças no amor. Eu, reconhecendo-me como o maior de todos os ignorantes, pensei comigo mesmo: - há esperança quando, ao invés de fingir conhecer o que não se conhece, busca-se refúgio na doutrina central de Cristo. Deus só é acessível pelo amor, este gerado pela fé, e ambos gerando esperança. Esse trio em ação, embora não dispense a lei, supera-a com vantagem.
O caminho do consenso, conforme percebi, só pode ser trilhado por pessoas que, cultivando a humildade, são capazes de reconhecer a própria ignorância. Quanto a isso, ajuda muito ter uma boa noção sobre as principais teorias do conhecimento para saber até onde vai a arrogância de alguns interlocutores. O tom doutoral de alguns deles indica quando se deve desistir do diálogo que poderia deixá-los nus diante do público a quem tentam vender sua "sabedoria".
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Como ter acesso a Deus?
O coração e a mente do homem clamam por Deus, pois a felicidade perene está nEle. E esse Deus, como sabem os que O conhecem, é acessível a todo aquele que O busca verdadeira e persistentemente.
Qual o caminho indicado pelos Evangelhos para encontrar Deus? - É a fé, que se transforma em amor, os dois gerando esperança. Assim, o homem deve agir como se já tivesse encontrado Deus, colocando em prática Seus Mandamentos.
Enquanto age como se, o homem deve implorar, bater à porta, e confiar que o Pai Celestial não dará uma serpente a quem lhe pede um peixe, nem uma pedra a quem lhe pede pão. Isso é uma promessa de Cristo, e ela é evidente por si mesma, pois até mesmo o maior dos pecadores humanos tem alguma sensibilidade para com os seus filhos.
As seguintes ações, entre muitas outras, apresentadas na forma de um "brainstorm", são indicadas para que o acesso a Deus se torne uma realidade no dia-a-dia. Elas podem ser encontradas na Bíblia e nos escritos dos homens que tiveram experiências culminantes com Deus. Ei-las:
Cantar hinos inspiradores
Retirar-se para locais silenciosos
Orar silenciosa e permanentemente o Pai Nosso
Fixar a mente inquieta no ambiente celestial descrito na Bíblia
Analisar, como espectador, os pensamentos que se infiltram na mente
Imaginar que a vida na Terra ocorre como se fosse um filme
Buscar a companhia de pessoas boas
Mergulhar no fundo da alma para conhecê-la
Pregar o Evangelho de Cristo com o exemplo
Pesquisar a melhor maneira de falar sobre Deus com as pessoas descrentes
Manter o corpo sadio para que a mente se torne sadia
Manter sob controle os impulsos do orgnanismo
Aprender a distinguir uma necessidade de um desejo
Ler bons livros e tentar praticar suas recomendações
Fazer um trabalho bem feito
Acionar a vontade e a inteligência como recursos divinos
Buscando-O por meio das ações acima, com o tempo Deus deixa de ser uma ideia e torna-se uma realidade acima de qualquer dúvida.
Qual o caminho indicado pelos Evangelhos para encontrar Deus? - É a fé, que se transforma em amor, os dois gerando esperança. Assim, o homem deve agir como se já tivesse encontrado Deus, colocando em prática Seus Mandamentos.
Enquanto age como se, o homem deve implorar, bater à porta, e confiar que o Pai Celestial não dará uma serpente a quem lhe pede um peixe, nem uma pedra a quem lhe pede pão. Isso é uma promessa de Cristo, e ela é evidente por si mesma, pois até mesmo o maior dos pecadores humanos tem alguma sensibilidade para com os seus filhos.
As seguintes ações, entre muitas outras, apresentadas na forma de um "brainstorm", são indicadas para que o acesso a Deus se torne uma realidade no dia-a-dia. Elas podem ser encontradas na Bíblia e nos escritos dos homens que tiveram experiências culminantes com Deus. Ei-las:
Cantar hinos inspiradores
Retirar-se para locais silenciosos
Orar silenciosa e permanentemente o Pai Nosso
Fixar a mente inquieta no ambiente celestial descrito na Bíblia
Analisar, como espectador, os pensamentos que se infiltram na mente
Imaginar que a vida na Terra ocorre como se fosse um filme
Buscar a companhia de pessoas boas
Mergulhar no fundo da alma para conhecê-la
Pregar o Evangelho de Cristo com o exemplo
Pesquisar a melhor maneira de falar sobre Deus com as pessoas descrentes
Manter o corpo sadio para que a mente se torne sadia
Manter sob controle os impulsos do orgnanismo
Aprender a distinguir uma necessidade de um desejo
Ler bons livros e tentar praticar suas recomendações
Fazer um trabalho bem feito
Acionar a vontade e a inteligência como recursos divinos
Buscando-O por meio das ações acima, com o tempo Deus deixa de ser uma ideia e torna-se uma realidade acima de qualquer dúvida.
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