Minha amiga classificou-se, informalmente, como "batisteriana". Ela tem pais presbiterianos e casou-se com um batista. Frequenta as duas denominações indistintamente e não se sente constrangida. Seu argumento central: - naquilo em que as duas denominações divergem, não se pode dizer que saibam do que estão falando. Então, concentro-me na doutrina do amor, cuja fonte é Cristo. Quanto ao mais, ignoro.
Meu amigo presbiteriano começou a falar de uma difícil doutrina comigo. Quando o questionei se sabia, realmente, do que estava falando, ele confessou logo: - rigorosamente, não sei do que estou falando. A esse respeito, pessoas inteligentes, formadas nas melhores escolas de teologia, têm assumido posições opostas. Para falar a verdade, eu fico mesmo é com a doutrina de Cristo, sintetizada no amor.
Conversando com um amigo católico, percebi que ele repetia argumentos sem saber defendê-los. No final da conversa, ele também disse que, rigorosamente, não estava em condições de defender as doutrinas que subscrevia em confiança. Afirmou, ainda, que a Igreja Católica está dividida, e que até mesmo os leigos, com a intenção de defender a ortodoxia, estão julgando os papas. Ele concordou, como a amiga "batisteriana" e o amigo presbiteriano, que a dúvida sobre aspectos doutrinários desaparece diante das práticas de vida inspiradas no amor.
Fiquei alegre com os meus amigos. Eles reconheceram sua ignorância, e colocaram suas esperanças no amor. Eu, reconhecendo-me como o maior de todos os ignorantes, pensei comigo mesmo: - há esperança quando, ao invés de fingir conhecer o que não se conhece, busca-se refúgio na doutrina central de Cristo. Deus só é acessível pelo amor, este gerado pela fé, e ambos gerando esperança. Esse trio em ação, embora não dispense a lei, supera-a com vantagem.
O caminho do consenso, conforme percebi, só pode ser trilhado por pessoas que, cultivando a humildade, são capazes de reconhecer a própria ignorância. Quanto a isso, ajuda muito ter uma boa noção sobre as principais teorias do conhecimento para saber até onde vai a arrogância de alguns interlocutores. O tom doutoral de alguns deles indica quando se deve desistir do diálogo que poderia deixá-los nus diante do público a quem tentam vender sua "sabedoria".
segunda-feira, 23 de maio de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Como ter acesso a Deus?
O coração e a mente do homem clamam por Deus, pois a felicidade perene está nEle. E esse Deus, como sabem os que O conhecem, é acessível a todo aquele que O busca verdadeira e persistentemente.
Qual o caminho indicado pelos Evangelhos para encontrar Deus? - É a fé, que se transforma em amor, os dois gerando esperança. Assim, o homem deve agir como se já tivesse encontrado Deus, colocando em prática Seus Mandamentos.
Enquanto age como se, o homem deve implorar, bater à porta, e confiar que o Pai Celestial não dará uma serpente a quem lhe pede um peixe, nem uma pedra a quem lhe pede pão. Isso é uma promessa de Cristo, e ela é evidente por si mesma, pois até mesmo o maior dos pecadores humanos tem alguma sensibilidade para com os seus filhos.
As seguintes ações, entre muitas outras, apresentadas na forma de um "brainstorm", são indicadas para que o acesso a Deus se torne uma realidade no dia-a-dia. Elas podem ser encontradas na Bíblia e nos escritos dos homens que tiveram experiências culminantes com Deus. Ei-las:
Cantar hinos inspiradores
Retirar-se para locais silenciosos
Orar silenciosa e permanentemente o Pai Nosso
Fixar a mente inquieta no ambiente celestial descrito na Bíblia
Analisar, como espectador, os pensamentos que se infiltram na mente
Imaginar que a vida na Terra ocorre como se fosse um filme
Buscar a companhia de pessoas boas
Mergulhar no fundo da alma para conhecê-la
Pregar o Evangelho de Cristo com o exemplo
Pesquisar a melhor maneira de falar sobre Deus com as pessoas descrentes
Manter o corpo sadio para que a mente se torne sadia
Manter sob controle os impulsos do orgnanismo
Aprender a distinguir uma necessidade de um desejo
Ler bons livros e tentar praticar suas recomendações
Fazer um trabalho bem feito
Acionar a vontade e a inteligência como recursos divinos
Buscando-O por meio das ações acima, com o tempo Deus deixa de ser uma ideia e torna-se uma realidade acima de qualquer dúvida.
Qual o caminho indicado pelos Evangelhos para encontrar Deus? - É a fé, que se transforma em amor, os dois gerando esperança. Assim, o homem deve agir como se já tivesse encontrado Deus, colocando em prática Seus Mandamentos.
Enquanto age como se, o homem deve implorar, bater à porta, e confiar que o Pai Celestial não dará uma serpente a quem lhe pede um peixe, nem uma pedra a quem lhe pede pão. Isso é uma promessa de Cristo, e ela é evidente por si mesma, pois até mesmo o maior dos pecadores humanos tem alguma sensibilidade para com os seus filhos.
As seguintes ações, entre muitas outras, apresentadas na forma de um "brainstorm", são indicadas para que o acesso a Deus se torne uma realidade no dia-a-dia. Elas podem ser encontradas na Bíblia e nos escritos dos homens que tiveram experiências culminantes com Deus. Ei-las:
Cantar hinos inspiradores
Retirar-se para locais silenciosos
Orar silenciosa e permanentemente o Pai Nosso
Fixar a mente inquieta no ambiente celestial descrito na Bíblia
Analisar, como espectador, os pensamentos que se infiltram na mente
Imaginar que a vida na Terra ocorre como se fosse um filme
Buscar a companhia de pessoas boas
Mergulhar no fundo da alma para conhecê-la
Pregar o Evangelho de Cristo com o exemplo
Pesquisar a melhor maneira de falar sobre Deus com as pessoas descrentes
Manter o corpo sadio para que a mente se torne sadia
Manter sob controle os impulsos do orgnanismo
Aprender a distinguir uma necessidade de um desejo
Ler bons livros e tentar praticar suas recomendações
Fazer um trabalho bem feito
Acionar a vontade e a inteligência como recursos divinos
Buscando-O por meio das ações acima, com o tempo Deus deixa de ser uma ideia e torna-se uma realidade acima de qualquer dúvida.
sexta-feira, 25 de março de 2011
A religião verdadeira
O Deus que tem sido pregado por lobos e charlatães é fruto da ilusão. Veja, por exemplo, estas figuras programadas para ilustrar a ilusão de ótica. Não lhe parece que este é o Deus que, por analogia, tem sido pregado com grande estardalhaço?
Quem prega um Deus tão confuso, e passivel de tantas interpretações, com certeza nunca O conheceu. Apenas leu sobre Ele. Sua religião, portanto, é também fruto da ilusão.
A religião verdadeira é simples, clara e concisa. Seus sacerdotes não são conhecidos pela capacidade de persuasão do ouvinte por meio de palavras bem articuladas. Eles são o exemplo vivo de que estão em contato com o Deus no qual afirmam ter fé.
A religião verdadeira consiste em colocar em prática a fé e o amor, gerando as obras equivalentes em benefício do próximo.
Quem prega um Deus tão confuso, e passivel de tantas interpretações, com certeza nunca O conheceu. Apenas leu sobre Ele. Sua religião, portanto, é também fruto da ilusão.
A religião verdadeira é simples, clara e concisa. Seus sacerdotes não são conhecidos pela capacidade de persuasão do ouvinte por meio de palavras bem articuladas. Eles são o exemplo vivo de que estão em contato com o Deus no qual afirmam ter fé.
A religião verdadeira consiste em colocar em prática a fé e o amor, gerando as obras equivalentes em benefício do próximo.
sábado, 19 de março de 2011
A excelência aos olhos de Deus
Algumas coisas Deus fez na sua versão final e definitiva, e estas são naturalmente excelentes. Outras Ele fez com um potencial a ser realizado no tempo. O homem, por exemplo, Ele o fez racional, e permitiu que decaísse de sua excelência original, porém mantendo-o passível de realizar seu potencial humano por meio dos recursos que fazem parte de sua constituição, e seu potencial divino por meio da intermediação de Cristo.
Para Deus, o modelo de excelência está em Cristo, e todo homem, em Cristo, é excelente. Mas a prova de que o homem está em Cristo não são obras ou rituais externos, mas os frutos da fé, do amor e da esperança. Deus olha, primeiro, o interior do homem, e nenhuma obra que não seja a expressão externa de sua excelência interna tem valor para Ele. Quanto a isso, Ele prefere o indouto, o humilde e o pobre desde que eles tenham o coração puro.
Por outro lado, tudo o que, para o homem, é excelente, pode ser abominação aos olhos de Deus. O homem julga-se excelente quando tem poder, recebe glória por seus atos, e julga ter conhecimento obtido com a aplicação de sua inteligência. Com base nesses referenciais, o homem coloca-se como juíz do seu próximo. Mas, para sua decepção, Deus prefere aqueles a quem ele julga inferiores.
Sendo o homem, por natureza, egoísta, ele precisa ser confrontado com o fato de que nada do que faz para si tem valor perante Deus. Nem aquilo que ele faz para os outros com a finalidade de receber admiração. O homem precisa cuidar-se, com certeza, mas não pode esquecer jamais de cuidar do seu semelhante como se o fizesse para si mesmo, sem segundas intenções.
Além de usar todas as faculdades que o Criador lhe deu, o homem, além de creditar tudo ao poder de Deus, deve bater à porta e implorar por aquilo que Ele mesmo julga ser a fonte da excelência: um coração puro.
Excelência, para Deus, é o amor e a fé que se transformam em serviço visando a socorrer o próximo que necessita de ajuda.
Para Deus, o modelo de excelência está em Cristo, e todo homem, em Cristo, é excelente. Mas a prova de que o homem está em Cristo não são obras ou rituais externos, mas os frutos da fé, do amor e da esperança. Deus olha, primeiro, o interior do homem, e nenhuma obra que não seja a expressão externa de sua excelência interna tem valor para Ele. Quanto a isso, Ele prefere o indouto, o humilde e o pobre desde que eles tenham o coração puro.
Por outro lado, tudo o que, para o homem, é excelente, pode ser abominação aos olhos de Deus. O homem julga-se excelente quando tem poder, recebe glória por seus atos, e julga ter conhecimento obtido com a aplicação de sua inteligência. Com base nesses referenciais, o homem coloca-se como juíz do seu próximo. Mas, para sua decepção, Deus prefere aqueles a quem ele julga inferiores.
Sendo o homem, por natureza, egoísta, ele precisa ser confrontado com o fato de que nada do que faz para si tem valor perante Deus. Nem aquilo que ele faz para os outros com a finalidade de receber admiração. O homem precisa cuidar-se, com certeza, mas não pode esquecer jamais de cuidar do seu semelhante como se o fizesse para si mesmo, sem segundas intenções.
Além de usar todas as faculdades que o Criador lhe deu, o homem, além de creditar tudo ao poder de Deus, deve bater à porta e implorar por aquilo que Ele mesmo julga ser a fonte da excelência: um coração puro.
Excelência, para Deus, é o amor e a fé que se transformam em serviço visando a socorrer o próximo que necessita de ajuda.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Educação no Evangelho da Sabedoria
Um desafio
"Porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir nem contradizer todos quantos se vos opuserem. Lucas 21:15"
O versículo acima deixa claro que a sabedoria que vem de Deus não pode ser ensinada pelo homem. Há quem acredite que nem mesmo a sabedoria humana possa ser ensinada. Porém, toda educação que ultrapasse o mero treinamento deve visar à sabedoria. (A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento. Provérbios 4:7)
Se Deus agisse sempre a partir do interior do homem para firmar o seu caráter, a educação seria desnecessária. Todos nasceriam amando-O e ao próximo como a si mesmos. Todos já nasceriam convertidos. A pregação do Evangelho não seria necessária.
Entretanto, Deus escolheu que o homem fosse formado pela educação dos seus semelhantes. Isso, talvez, para permitir o serviço mútuo e, com ele, a aprendizagem da arte de amar. Aliás, quando Cristo pediu que Pedro apascentasse suas ovelhas, estava implícito a ideia de educação para a sabedoria. ("(...). Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. João 21:17")
A educação cristã, conforme penso, consiste em submeter cada pessoa àquelas condições necessárias para que ela nasça, cresça e se desenvolva no ambiente do Evangelho. Preparado o terreno, semeada a boa semente, e dispensados os cuidados necessários, algum eventual joio que se misture com o trigo poderá ser extirpado na hora da colheita.
Nesse ambiente, devem-se satisfazer as necessidades básicas - fisiológicas, de segurança, sociais, de (auto)estima e de autorrealização - que garantam as condições de existência sadia. Sendo necessárias, a não satisfação dessas necessidades poderá gerar o ser humano doente por deficiência de ser e, com isso, sofredor e gerador de sofrimento. Mas isso não é o bastante.
Simultaneamente, a educação deve tentar transmitir bons hábitos, virtudes e um senso crítico para a descoberta da verdade e a detecção da falsidade e do erro. Isso implica tornar a pessoa apta a usar o conhecimento reflexivo para gerar conhecimento produtivo, e não apenas tornar-se especialista num ou noutro tipo desses conhecimentos.
Porém, a meta final da educação cristã deve ser a sabedoria que vem de Deus. E isso sequer depende de escolaridade formal. Por isso, enquanto fazemos o trabalho duro que depende de nós, é preciso, simultaneamente, bater à porta e pedir insistentemente que Deus nos dê a sabedoria que Ele deseja que tenhamos.
"Porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir nem contradizer todos quantos se vos opuserem. Lucas 21:15"
O versículo acima deixa claro que a sabedoria que vem de Deus não pode ser ensinada pelo homem. Há quem acredite que nem mesmo a sabedoria humana possa ser ensinada. Porém, toda educação que ultrapasse o mero treinamento deve visar à sabedoria. (A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento. Provérbios 4:7)
Se Deus agisse sempre a partir do interior do homem para firmar o seu caráter, a educação seria desnecessária. Todos nasceriam amando-O e ao próximo como a si mesmos. Todos já nasceriam convertidos. A pregação do Evangelho não seria necessária.
Entretanto, Deus escolheu que o homem fosse formado pela educação dos seus semelhantes. Isso, talvez, para permitir o serviço mútuo e, com ele, a aprendizagem da arte de amar. Aliás, quando Cristo pediu que Pedro apascentasse suas ovelhas, estava implícito a ideia de educação para a sabedoria. ("(...). Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. João 21:17")
A educação cristã, conforme penso, consiste em submeter cada pessoa àquelas condições necessárias para que ela nasça, cresça e se desenvolva no ambiente do Evangelho. Preparado o terreno, semeada a boa semente, e dispensados os cuidados necessários, algum eventual joio que se misture com o trigo poderá ser extirpado na hora da colheita.
Nesse ambiente, devem-se satisfazer as necessidades básicas - fisiológicas, de segurança, sociais, de (auto)estima e de autorrealização - que garantam as condições de existência sadia. Sendo necessárias, a não satisfação dessas necessidades poderá gerar o ser humano doente por deficiência de ser e, com isso, sofredor e gerador de sofrimento. Mas isso não é o bastante.
Simultaneamente, a educação deve tentar transmitir bons hábitos, virtudes e um senso crítico para a descoberta da verdade e a detecção da falsidade e do erro. Isso implica tornar a pessoa apta a usar o conhecimento reflexivo para gerar conhecimento produtivo, e não apenas tornar-se especialista num ou noutro tipo desses conhecimentos.
Porém, a meta final da educação cristã deve ser a sabedoria que vem de Deus. E isso sequer depende de escolaridade formal. Por isso, enquanto fazemos o trabalho duro que depende de nós, é preciso, simultaneamente, bater à porta e pedir insistentemente que Deus nos dê a sabedoria que Ele deseja que tenhamos.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
A predestinação
Reflexão a partir das lições 21 - A Predestinação -, e 22 - Predestinação e Reprovação -, do livro de R. C. Sproul "Verdades Essenciais da Fé Cristã", Segundo Caderno, Editora Cultura Cristã, 2006.
RESUMO
A consulta aos textos bíblicos e estudos sobre predestinação levaram-me à seguinte conclusão: o tema não deve ser abordado diante do público em geral. Para o grande público é mais urgente reforçar a doutrina-raíz do Evangelho de Cristo, segundo a síntese feita por Ele mesmo, e/ou as mensagens que a reforçam, por serem portadoras de esperança aos que sofrem e aos que têm um coração amoroso e limpo. Já os estudiosos, que eles pensem mil vezes antes de reivindicar domínio sobre o assunto, pois, ao fazê-lo, poderão estar demonstrando querer ultrapassar a sabedoria do próprio Deus. Os teólogos clássicos, pelo menos, chegaram a um consenso: o assunto não deve ser apresentado a todos, de forma indiscriminada, pois isso, além de não trazer benefícios, pode trazer grandes malefícios.
1. INTRODUÇÃO
Afirma Sproul, na página 55 do livro acima citado, relativamente à Lição 1 - A Predestinação -:
"Praticamente, todas as igrejas cristãs têm algum tipo de doutrina sobre a predestinação. (...). Muitas igrejas, entretanto, discordam - muitas vezes veementemente - quanto ao seu significado. O ponto de vista metodista é diferente do ponto de vista luterano, o qual discorda do ponto de vista presbiteriano. Embora seus pontos de vista difiram, cada um deles está tentando chegar a uma sólida compreensão desta difícil questão de maneira apropriada."
"(...): desde toda a eternidade, antes mesmo que nós existíssemos, Deus decidiu salvar alguns membros da raça humana e permitir que o resto da raça humana perecesse. Deus fez uma escolha - escolheu alguns indivíduos para serem salvos na eterna bênção do céu e escolheu passar por sobre os outros, permitindo que sofressem as consequências dos seus pecados no tormento eterno do inferno.
A aceitação dessa definição é comum a muitas igrejas. (...). O ponto de vista não-reformado, defendido pela grande maioria dos cristãos, é que Deus faz essa escolha com base em sua presciência. Deus escolhe para a vida eterna aqueles que sabe que o escolherão. (...).
A visão reformada difere no fato de que ela vê a decisão final para a salvação nas mãos de Deus, e não nas mãos do homem. Segundo este ponto de vista, a eleição de Deus é soberana. Não se baseia nas decisões ou respostas previstas por parte dos seres humanos. Aliás, vê tais decisões fluindo da graça soberana de Deus."
Na Lição 2 - Predestinação e Reprovação -, página 58, Sproul continua afirmando: (...). "A eleição refere-se apenas a um aspecto da questão mais ampla da predestinação. O outro lado da moeda é a reprovação. Deus declarou que amava Jacó mas odiava Esaú. Como podemos entender essa referência ao ódio divino?
A predestinação é dupla. A única maneira de evitar a doutrina da predestinação dupla é afirmar que Deus predestina todos para a eleição ou que não predestina ninguém seja para a eleição seja para a reprovação. Visto que a Bíblia ensina claramente a predestinação para a eleição e nega a salvação universal, temos de concluir que a predestinação é dupla: inclui tanto a eleição como reprovação. A dupla predestinação é inevitável se tomarmos a Bíblia a sério. [grifo meu]"
Após tecer considerações lógicas decorrentes dos desdobramentos da predestinação dupla, Sproul termina suas considerações na página 59, de forma sugestiva:
"(...). Vamos deixar que o leitor decida."
2. PASSAGENS BÍBLICAS A RESPEITO DO TEMA
Não há dúvida de que a Bíblia afirma a dupla predestinação. Os textos citados por Sproul, embora não exaustivos, foram selecionados por serem inquestionáveis a esse respeito.
Na Lição 21, Sproul recomenda as seguintes passagens bíblicas:
Probérbios 16.4; João 13.18; Romanos 8.30; Efésios 1.3-14; 2 Tessalonicenses 2.13-15. Ao longo do seu texto ele ainda cita: Romanos 9.10-12,16 e Romanos 9.14,15.
Na Lição 22, as seguintes passagens sãos recomendadas:
Êxodo 7.1-5, Provérbios 16.4; Romanos 9; Efésios 1.3-6; Judas 1.4.
Porém, como sabemos, há passagens que se concentram somente no lado positivo da predestinação, dando esperança a todos que se sentem atraídos pelo Evangelho de Cristo. Esses textos não serão destacados nesta reflexão para que o foco sobre o assunto seja mantido na sua dimensão mais difícil.
3. EXEMPLOS DE ESTUDOS A RESPEITO DO TEMA
3.1 - Visão Católica
Veja aqui.
3.2 - Visão Reformada Calvinista
Veja aqui.
4. POSIÇÕES DE GRANDES TEÓLOGOS
4.1 - Agostinho de Hipona
Veja aqui.
4.2 - Tomás de Aquino
Veja aqui.
4.3 - Martinho Lutero
Veja aqui.
4.4 - João Calvino
Veja aqui.
5. COMENTÁRIOS E CONCLUSÃO GERAL
Voltemos ao que Sproul afirmou na página 55, relativa à Lição 1 - A Predestinação -, que foi destacado na introdução desta reflexão:
"Praticamente, todas as igrejas cristãs têm algum tipo de doutrina sobre a predestinação. (...). Muitas igrejas, entretanto, discordam - muitas vezes veementemente - quanto ao seu significado. O ponto de vista metodista é diferente do ponto de vista luterano, o qual discorda do ponto de vista presbiteriano. Embora seus pontos de vista difiram, cada um deles está tentando chegar a uma sólida compreensão desta difícil questão de maneira apropriada."
Ressaltemos algumas opiniões sobre como lidar com o assunto, estas tiradas das referências citadas no item 4:
Agostinho de Hipona
Não identifiquei uma posição simples e concisa, exceto, talvez, sua posição implícita de que Deus faz a eleição pela presciência da escolha humana, seja para a salvação, seja para a perdição. Esse posicionamento precisa ser confirmado.
Tomás de Aquino
"(...) deve-se dizer que ainda que a própria predestinação seja revelada a alguns por um privilégio especial, entretanto, não convém seja revelada a todos; pois neste caso os não-predestinados cairiam no desespero e a segurança de ser predestinado geraria negligência." Entenda-se que, quando ele se refere a predestinados, está se referindo à eleição para a vida eterna.
Lutero
Ele deu o seguite conselho a uma pessoa que estava muito ansiosa quanto ao fato de ser eleita ou réproba:
“Quando tais pensamentos a assaltam, você deve aprender a perguntar a si mesma: “Por favor, em que mandamento está escrito que eu deva pensar sobre esse assunto e lidar com ele?”. Quando parecer que não há tal mandamento, aprenda a dizer: “Saia daqui, maldito diabo! Você está tentando fazer com que eu me preocupe comigo mesma. Meu Deus declara em todos os lugares que eu devo deixá-lo tomar conta de mim [...]”. A mais sublime de todas as ordens de Deus é esta, que mantenhamos diante de nossos olhos a imagem de seu Filho querido, nosso Senhor Jesus Cristo. Todos os dias ele deve ser nosso excelente espelho, no qual contemplamos o quanto Deus nos ama e quão bem, em sua infinita bondade, ele cuidou de nós ao dar seu Filho amado por nós. Desse modo, eu digo, e de nenhum outro, um homem aprende a lidar adequadamente com a questão da predestinação. Será evidente que você crê em Cristo. Se você crê, então será chamada. E, se é chamada, então muito certamente está predestinada. Não deixe que esse espelho e trono de graça seja quebrado diante de seus olhos [...] Contemple o Cristo dado por nós. Então, se Deus desejar, você se sentirá melhor”.
Calvino
"Em primeiro lugar, então, quando os homens quiserem fazer pesquisa sobre a predestinação, é preciso que se lembrem de entrar no santuário da sabedoria divina. Nesta questão, se a pessoa estiver cheia de si e se intrometer com excessiva autoconfiança e ousadia, jamais irá satisfazer a sua curiosidade. Entrará num labirinto da qual nunca achará saída. Porque não é certo que as coisas que Deus quis manter ocultas e das quais ele não concede pleno conhecimento sejam esquadrinhadas dessa forma pelos homens. Também não é certo sujeitar a sabedoria de Deus ao critério humano e pretender que este penetre a sua infinidade eterna. Pois ele quer que a sua altíssima sabedoria seja mais adorada que compreendida (a fim de que seja admirada pelo que é). (...)."
Meus comentários
Eu não poderia esquecer das palavras de Cristo em Mateus 11:25: "respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos." Neste caso, parece que os pequeninos a que Ele se refere, a menos que sejam estimulados, nem fazem perguntas sobre o assunto, pois estão totalmente concentrados na prática efetiva do Evangelho.
Tendo em vista tudo o que foi dito até o momento, desisto da intenção de emitir opinião técnica sobre o assunto, embora eu tenha ensaiado uma resposta elegante para o mesmo com base na filosofia aristotélica. Evoco, para proteger-me, a doutrina expressa por Jesus Cristo em Marcos 12:30-31:
"Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes."
Aceita esta doutrina, devemos praticá-la, pois isso será bom para nós e bom exemplo para os demais. Não podemos ter a pretensão de, citando a predestinação, assustar os réprobos, pois eles já estão condenados, e, além do mais, nós não sabemos quais são eles. Por outro lado, de nada adianta ressaltar esta doutrina para alegrar os eleitos, pois, igualmente, eles já são eleitos, mas nós não podemos ter a pretensão de saber quantos e quais são eles.
Resta-nos, portanto, a alternativa de aceitar que o tema é bíblico, e que não deve ser rejeitado; mas que, também, não deve ser ressaltado para o público em geral, pois entre os seus componentes podem existir pessoas fracas na fé, e outras tantas com dificuldades de compreensão de um tema tão difícil.
Se, numa dada assembléia, o tema tiver que ser pregado, o bom senso diz que é preciso assumir que todos que estão na assembleia são, provavelmente, eleitos, mas que ninguém se orgulhe disse, pois o nome dos eleitos e róprobos é de conhecimento exclusivo de Deus. Que todos se esforcem, pois, para agir segundo a vontade dEle e que, pela fé e pelo amor, se empenhem a executar as obras que procedem da fé e do amor, gerando esperança para todos que se sentem chamados.
Tenhamos em mente Deuteronômio 29:29:
As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.
Se você quiser a opinião de um calvinista presbiteriano, altamente qualificado, sobre como compreender o paradoxo da soberania de Deus frente à responsabilidade humana, leia o texto Eu Não Sei.
6. BIBLIOGRAFIA
Indicada ao longo da reflexão.
RESUMO
A consulta aos textos bíblicos e estudos sobre predestinação levaram-me à seguinte conclusão: o tema não deve ser abordado diante do público em geral. Para o grande público é mais urgente reforçar a doutrina-raíz do Evangelho de Cristo, segundo a síntese feita por Ele mesmo, e/ou as mensagens que a reforçam, por serem portadoras de esperança aos que sofrem e aos que têm um coração amoroso e limpo. Já os estudiosos, que eles pensem mil vezes antes de reivindicar domínio sobre o assunto, pois, ao fazê-lo, poderão estar demonstrando querer ultrapassar a sabedoria do próprio Deus. Os teólogos clássicos, pelo menos, chegaram a um consenso: o assunto não deve ser apresentado a todos, de forma indiscriminada, pois isso, além de não trazer benefícios, pode trazer grandes malefícios.
1. INTRODUÇÃO
Afirma Sproul, na página 55 do livro acima citado, relativamente à Lição 1 - A Predestinação -:
"Praticamente, todas as igrejas cristãs têm algum tipo de doutrina sobre a predestinação. (...). Muitas igrejas, entretanto, discordam - muitas vezes veementemente - quanto ao seu significado. O ponto de vista metodista é diferente do ponto de vista luterano, o qual discorda do ponto de vista presbiteriano. Embora seus pontos de vista difiram, cada um deles está tentando chegar a uma sólida compreensão desta difícil questão de maneira apropriada."
"(...): desde toda a eternidade, antes mesmo que nós existíssemos, Deus decidiu salvar alguns membros da raça humana e permitir que o resto da raça humana perecesse. Deus fez uma escolha - escolheu alguns indivíduos para serem salvos na eterna bênção do céu e escolheu passar por sobre os outros, permitindo que sofressem as consequências dos seus pecados no tormento eterno do inferno.
A aceitação dessa definição é comum a muitas igrejas. (...). O ponto de vista não-reformado, defendido pela grande maioria dos cristãos, é que Deus faz essa escolha com base em sua presciência. Deus escolhe para a vida eterna aqueles que sabe que o escolherão. (...).
A visão reformada difere no fato de que ela vê a decisão final para a salvação nas mãos de Deus, e não nas mãos do homem. Segundo este ponto de vista, a eleição de Deus é soberana. Não se baseia nas decisões ou respostas previstas por parte dos seres humanos. Aliás, vê tais decisões fluindo da graça soberana de Deus."
Na Lição 2 - Predestinação e Reprovação -, página 58, Sproul continua afirmando: (...). "A eleição refere-se apenas a um aspecto da questão mais ampla da predestinação. O outro lado da moeda é a reprovação. Deus declarou que amava Jacó mas odiava Esaú. Como podemos entender essa referência ao ódio divino?
A predestinação é dupla. A única maneira de evitar a doutrina da predestinação dupla é afirmar que Deus predestina todos para a eleição ou que não predestina ninguém seja para a eleição seja para a reprovação. Visto que a Bíblia ensina claramente a predestinação para a eleição e nega a salvação universal, temos de concluir que a predestinação é dupla: inclui tanto a eleição como reprovação. A dupla predestinação é inevitável se tomarmos a Bíblia a sério. [grifo meu]"
Após tecer considerações lógicas decorrentes dos desdobramentos da predestinação dupla, Sproul termina suas considerações na página 59, de forma sugestiva:
"(...). Vamos deixar que o leitor decida."
2. PASSAGENS BÍBLICAS A RESPEITO DO TEMA
Não há dúvida de que a Bíblia afirma a dupla predestinação. Os textos citados por Sproul, embora não exaustivos, foram selecionados por serem inquestionáveis a esse respeito.
Na Lição 21, Sproul recomenda as seguintes passagens bíblicas:
Probérbios 16.4; João 13.18; Romanos 8.30; Efésios 1.3-14; 2 Tessalonicenses 2.13-15. Ao longo do seu texto ele ainda cita: Romanos 9.10-12,16 e Romanos 9.14,15.
Na Lição 22, as seguintes passagens sãos recomendadas:
Êxodo 7.1-5, Provérbios 16.4; Romanos 9; Efésios 1.3-6; Judas 1.4.
Porém, como sabemos, há passagens que se concentram somente no lado positivo da predestinação, dando esperança a todos que se sentem atraídos pelo Evangelho de Cristo. Esses textos não serão destacados nesta reflexão para que o foco sobre o assunto seja mantido na sua dimensão mais difícil.
3. EXEMPLOS DE ESTUDOS A RESPEITO DO TEMA
3.1 - Visão Católica
Veja aqui.
3.2 - Visão Reformada Calvinista
Veja aqui.
4. POSIÇÕES DE GRANDES TEÓLOGOS
4.1 - Agostinho de Hipona
Veja aqui.
4.2 - Tomás de Aquino
Veja aqui.
4.3 - Martinho Lutero
Veja aqui.
4.4 - João Calvino
Veja aqui.
5. COMENTÁRIOS E CONCLUSÃO GERAL
Voltemos ao que Sproul afirmou na página 55, relativa à Lição 1 - A Predestinação -, que foi destacado na introdução desta reflexão:
"Praticamente, todas as igrejas cristãs têm algum tipo de doutrina sobre a predestinação. (...). Muitas igrejas, entretanto, discordam - muitas vezes veementemente - quanto ao seu significado. O ponto de vista metodista é diferente do ponto de vista luterano, o qual discorda do ponto de vista presbiteriano. Embora seus pontos de vista difiram, cada um deles está tentando chegar a uma sólida compreensão desta difícil questão de maneira apropriada."
Ressaltemos algumas opiniões sobre como lidar com o assunto, estas tiradas das referências citadas no item 4:
Agostinho de Hipona
Não identifiquei uma posição simples e concisa, exceto, talvez, sua posição implícita de que Deus faz a eleição pela presciência da escolha humana, seja para a salvação, seja para a perdição. Esse posicionamento precisa ser confirmado.
Tomás de Aquino
"(...) deve-se dizer que ainda que a própria predestinação seja revelada a alguns por um privilégio especial, entretanto, não convém seja revelada a todos; pois neste caso os não-predestinados cairiam no desespero e a segurança de ser predestinado geraria negligência." Entenda-se que, quando ele se refere a predestinados, está se referindo à eleição para a vida eterna.
Lutero
Ele deu o seguite conselho a uma pessoa que estava muito ansiosa quanto ao fato de ser eleita ou réproba:
“Quando tais pensamentos a assaltam, você deve aprender a perguntar a si mesma: “Por favor, em que mandamento está escrito que eu deva pensar sobre esse assunto e lidar com ele?”. Quando parecer que não há tal mandamento, aprenda a dizer: “Saia daqui, maldito diabo! Você está tentando fazer com que eu me preocupe comigo mesma. Meu Deus declara em todos os lugares que eu devo deixá-lo tomar conta de mim [...]”. A mais sublime de todas as ordens de Deus é esta, que mantenhamos diante de nossos olhos a imagem de seu Filho querido, nosso Senhor Jesus Cristo. Todos os dias ele deve ser nosso excelente espelho, no qual contemplamos o quanto Deus nos ama e quão bem, em sua infinita bondade, ele cuidou de nós ao dar seu Filho amado por nós. Desse modo, eu digo, e de nenhum outro, um homem aprende a lidar adequadamente com a questão da predestinação. Será evidente que você crê em Cristo. Se você crê, então será chamada. E, se é chamada, então muito certamente está predestinada. Não deixe que esse espelho e trono de graça seja quebrado diante de seus olhos [...] Contemple o Cristo dado por nós. Então, se Deus desejar, você se sentirá melhor”.
Calvino
"Em primeiro lugar, então, quando os homens quiserem fazer pesquisa sobre a predestinação, é preciso que se lembrem de entrar no santuário da sabedoria divina. Nesta questão, se a pessoa estiver cheia de si e se intrometer com excessiva autoconfiança e ousadia, jamais irá satisfazer a sua curiosidade. Entrará num labirinto da qual nunca achará saída. Porque não é certo que as coisas que Deus quis manter ocultas e das quais ele não concede pleno conhecimento sejam esquadrinhadas dessa forma pelos homens. Também não é certo sujeitar a sabedoria de Deus ao critério humano e pretender que este penetre a sua infinidade eterna. Pois ele quer que a sua altíssima sabedoria seja mais adorada que compreendida (a fim de que seja admirada pelo que é). (...)."
Meus comentários
Eu não poderia esquecer das palavras de Cristo em Mateus 11:25: "respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos." Neste caso, parece que os pequeninos a que Ele se refere, a menos que sejam estimulados, nem fazem perguntas sobre o assunto, pois estão totalmente concentrados na prática efetiva do Evangelho.
Tendo em vista tudo o que foi dito até o momento, desisto da intenção de emitir opinião técnica sobre o assunto, embora eu tenha ensaiado uma resposta elegante para o mesmo com base na filosofia aristotélica. Evoco, para proteger-me, a doutrina expressa por Jesus Cristo em Marcos 12:30-31:
"Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes."
Aceita esta doutrina, devemos praticá-la, pois isso será bom para nós e bom exemplo para os demais. Não podemos ter a pretensão de, citando a predestinação, assustar os réprobos, pois eles já estão condenados, e, além do mais, nós não sabemos quais são eles. Por outro lado, de nada adianta ressaltar esta doutrina para alegrar os eleitos, pois, igualmente, eles já são eleitos, mas nós não podemos ter a pretensão de saber quantos e quais são eles.
Resta-nos, portanto, a alternativa de aceitar que o tema é bíblico, e que não deve ser rejeitado; mas que, também, não deve ser ressaltado para o público em geral, pois entre os seus componentes podem existir pessoas fracas na fé, e outras tantas com dificuldades de compreensão de um tema tão difícil.
Se, numa dada assembléia, o tema tiver que ser pregado, o bom senso diz que é preciso assumir que todos que estão na assembleia são, provavelmente, eleitos, mas que ninguém se orgulhe disse, pois o nome dos eleitos e róprobos é de conhecimento exclusivo de Deus. Que todos se esforcem, pois, para agir segundo a vontade dEle e que, pela fé e pelo amor, se empenhem a executar as obras que procedem da fé e do amor, gerando esperança para todos que se sentem chamados.
Tenhamos em mente Deuteronômio 29:29:
As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.
Se você quiser a opinião de um calvinista presbiteriano, altamente qualificado, sobre como compreender o paradoxo da soberania de Deus frente à responsabilidade humana, leia o texto Eu Não Sei.
6. BIBLIOGRAFIA
Indicada ao longo da reflexão.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
O humanismo cristocêntrico
O indivíduo, ao olhar apenas para si mesmo, vive a ilusão egocêntrica.
Avançando ao extremo do imanentismo, ele se anula e passa a enxergar a unidade na Humanidade, assumindo uma filosofia de vida antropocêntrica.
Entretanto, ao descobrir a verdade sobre si mesmo, o indivíduo passa a viver um humanismo cristocêntrico, este apresentando os seguintes aspectos principais:
1. pode-se atingir a mais alta liberdade tornando-se livre de todos e, ao mesmo tempo, sendo servo de todos;
2. a união com Deus dá-se por meio de Jesus Cristo, mantendo-se contato com a Humanidade, porém superando-a.
O humanismo cristocêntrico é, pois, um humanismo transcendente. Vendo-se como imagem de Deus, o homem ama a Deus acima de tudo, e ao próximo como a si mesmo.
No humanismo cristocêntrico combinam-se: a filosofia especulativa, a ciência dos fundamentos, a tecnologia e a ética.
A política, que trata da organização social, inclui a todos e, sob a perspectiva do humanismo cristocêntrico, deve partir dos pontos comuns a todos os homens.
Avançando ao extremo do imanentismo, ele se anula e passa a enxergar a unidade na Humanidade, assumindo uma filosofia de vida antropocêntrica.
Entretanto, ao descobrir a verdade sobre si mesmo, o indivíduo passa a viver um humanismo cristocêntrico, este apresentando os seguintes aspectos principais:
1. pode-se atingir a mais alta liberdade tornando-se livre de todos e, ao mesmo tempo, sendo servo de todos;
2. a união com Deus dá-se por meio de Jesus Cristo, mantendo-se contato com a Humanidade, porém superando-a.
O humanismo cristocêntrico é, pois, um humanismo transcendente. Vendo-se como imagem de Deus, o homem ama a Deus acima de tudo, e ao próximo como a si mesmo.
No humanismo cristocêntrico combinam-se: a filosofia especulativa, a ciência dos fundamentos, a tecnologia e a ética.
A política, que trata da organização social, inclui a todos e, sob a perspectiva do humanismo cristocêntrico, deve partir dos pontos comuns a todos os homens.
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